Na aula anterior, ao discutir o problema da Universidade Delta (PBL 4 – Parte 1), ficou evidente que a simples inserção de tecnologias não transforma práticas pedagógicas; ao contrário, quando não fundamentada teoricamente, tende a reforçar modelos tradicionais de ensino. Ao avançar para o PBL 4 (Parte 2) e realizar as leituras propostas, compreendemos que o problema central não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é concebida e integrada ao processo educativo, de modo que a desmotivação e a evasão observadas se configuram mais como consequências de um modelo pedagógico fragilizado do que como causas isoladas.
O cenário analisado revela um uso instrumental das Tecnologias Digitais (TD), reduzidas a repositórios de arquivos, o que expressa uma concepção transmissiva de conhecimento. Tal perspectiva é criticada por Laurillard (2002), ao afirmar que a aprendizagem depende de processos interativos, baseados em diálogo, feedback e reconstrução do conhecimento.
Essa limitação pode ser compreendida a partir do modelo TPACK, que evidencia a necessidade de articulação entre os conhecimentos pedagógico, tecnológico e de conteúdo para um uso significativo das tecnologias (Koehler; Mishra; Cain, 2013). Quando essa integração não ocorre, a tecnologia se restringe a um suporte técnico, sem impacto efetivo na aprendizagem. De forma complementar, o modelo SAMR indica que a instituição permanece nos níveis iniciais de uso tecnológico, caracterizados pela substituição de práticas tradicionais, sem transformação das atividades pedagógicas (Puentedura, 2010).
Para um melhor entendimento, buscamos, por meio de um recurso visual, elencar algumas causas envolvidas a partir do Diagrama de Ishikawa.
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A leitura do diagrama evidencia que o problema não se reduz à tecnologia, mas resulta de uma articulação frágil entre dimensões pedagógicas, epistemológicas e culturais. Ao contrastar esse cenário com perspectivas contemporâneas, observa-se um distanciamento em relação às teorias que fundamentam a aprendizagem na cultura digital. Para Siemens (2005), o conhecimento é distribuído em redes, e aprender significa estabelecer conexões; entretanto, a estrutura identificada no diagrama revela justamente a ausência dessas conexões.
De modo semelhante, Lévy (1999) aponta que a cibercultura favorece a inteligência coletiva, mas essa potencialidade é neutralizada quando prevalece um modelo centrado na transmissão. Nesse contexto, Dakich (2014) reforça que a integração das tecnologias exige fundamentos epistemológicos consistentes, evidenciando que a fragilidade teórica identificada no diagrama compromete toda a proposta de inovação.
Dessa forma, a principal aprendizagem desta atividade é que a inovação educacional não reside na adoção de tecnologias, mas na transformação das práticas pedagógicas que lhes dão sentido. O diagrama evidencia que, sem essa transformação, a tecnologia tende a reproduzir o modelo transmissivo; por outro lado, quando articulada a fundamentos teóricos sólidos, pode se constituir como mediação significativa na construção do conhecimento.
REFERÊNCIAS
DAKICH, Eva. Theoretical and Epistemological Foundations of Integrating Digital Technologies in Education. In: Reflections on the History of Computers in Education. Springer, 2014. Disponível em: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-642-55119-2_10.
KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013. Disponível em: https://www.matt-koehler.com/publications/Koehler_et_al_2013.pdf.
LAURILLARD, D. Rethinking University Teaching: A Conversational Framework. Routledge, 2002. Disponível em: https://www.scribd.com/document/704783876/Conversational-Framework-of-Laurillard.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999. (Capítulos 4 e 6).
PUENTEDURA, R. SAMR: A Brief Introduction. 2010. Disponível em: https://www.scribd.com/document/891040863/Samr-Model-1.
SIEMENS, G. Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning, 2005.
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ResponderExcluirUma curiosidade: olhando para todas as causas que você elencou no diagrama, por onde você começaria a 'curar' a Universidade Delta? Você iria direto para a revisão do currículo ou focaria primeiro em criar fundamentos teóricos mais sólidos para os docentes, como sugere Dakich?
ResponderExcluirOlá! Excelente reflexão. O título do seu texto já traduz perfeitamente o dilema que analisamos no caso da Universidade Delta: a tensão entre a mera instrumentalização e a verdadeira mediação pedagógica. Você articulou muito bem como a ausência de bases epistemológicas consistentes, como aponta Dakich, esvazia o potencial de conexão e inteligência coletiva que o Siemens e o Lévy defendem.
ResponderExcluirFica muito claro que a simples adoção de novos artefatos não garante inovação se continuarmos reproduzindo lógicas transmissivas.
Hello Marcos! We are waiting for your timeline, as proposed in the new PBL. Remember that you need to have at least two blog posts each week!
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