sexta-feira, 17 de abril de 2026

Entre inquietações e construções teóricas: reflexões sobre tecnologia, inteligência e educação



O desenvolvimento deste estudo não se deu sem dificuldades, uma vez que as inquietações provocadas pelas leituras nos estimularam a buscar outros autores e perspectivas, ampliando o campo de análise. Esse movimento nos colocou diante de diferentes acepções teóricas, gerando tensionamentos e questionamentos que foram fundamentais para a construção de nossas ideias.

A partir desse ponto de partida, percebemos que refletir sobre a tecnologia no campo educacional exige, antes de tudo, o rompimento com a ideia de que ela seja neutra ou dissociada das condições concretas de sua produção. A partir de Pinto (2005), compreendemos que a tecnologia se constitui como um fenômeno histórico e social, impossível de ser analisada fora do contexto em que é produzida.

Nesse sentido, percebemos que Pinto (2005) desmonta a ideia de tecnologia como algo universal e neutro ao evidenciar que toda técnica é produzida em contextos específicos, marcada por interesses, intencionalidades e pelas condições materiais de uma determinada sociedade. Nessa perspectiva, compreendemos que a técnica deixa de ser vista como algo externo ao indivíduo para ser reconhecida como resultado do trabalho humano objetivado e vinculado às relações sociais.

Essa visão se distancia de qualquer caráter universal, uma vez que a tecnologia está enraizada no contexto de sua criação. Como aponta Lévy (1993), os agentes envolvidos são indivíduos situados no tempo e no espaço, trocando entre si uma infinidade de dispositivos materiais e objetos. Nesse contexto, compreendemos que a técnica é inseparável da experiência humana concreta, sendo erguida coletivamente ao longo da história.

Essa concepção dialoga diretamente com a Teoria Crítica de Feenberg (2002), ao considerarmos que o progresso tecnológico não segue um caminho linear ou inevitável, mas está inserido em disputas. Para o autor, a tecnologia possui um caráter ambivalente, funcionando como um campo de batalha em que diferentes valores são impressos no design (FEENBERG, 2002). Assim, percebemos que a essência de um artefato torna-se indissociável de seu código técnico, ou seja, das intenções políticas de quem o projeta, o que a posiciona como expressão de um projeto de sociedade.

Por outro lado, ao dialogarmos com autores como McLuhan (1964), foi possível perceber o entendimento de que primeiro moldamos nossas ferramentas e, em seguida, elas nos moldam. No entanto, compreendemos que essa interpretação pode reduzir a complexidade da ação humana ao centralizar o protagonismo no meio técnico.

Ao retomarmos Pinto (2005), compreendemos que essa leitura tende a atribuir à técnica uma autonomia que se desfaz quando analisamos suas condições históricas de produção. Essa crítica ganha força em Baudrillard (1967), ao apontar as fragilidades do idealismo tecnológico observado nas ideias de McLuhan (1964). Nesse sentido, entendemos que não se pode ignorar a história social, as ideologias e os modos de produção, o que converge com a insistência de Pinto (2005) na dimensão histórica e social das tecnologias.

Avançando nessa análise, é possível perceber que a relação entre tecnologia, consciência e ideologia assume um papel central. Pinto (2005) defende que a técnica participa da formação da consciência ao mediar o contato do sujeito com o mundo. Desse modo, compreendemos que a forma como os indivíduos se apropriam ou são privados dessa apropriação pode interferir diretamente na constituição de uma consciência crítica, podendo tanto reproduzir estruturas de dominação quanto tensioná-las.

Embora Lévy (1993) enfatize as alterações cognitivas e a reorganização das formas de conhecer e comunicar, foi possível compreender que, na perspectiva de Pinto (2005), tais mudanças estão ancoradas no trabalho humano e nas condições materiais. Nesse sentido, percebemos que o campo tecnológico revela-se um espaço de disputa, no qual a técnica pode tanto emancipar a consciência quanto servir como instrumento de dominação.

Como destaca Lévy (1993), as tecnologias intelectuais constituem um terreno político fundamental. Ao resgatarmos a centralidade do trabalho em Pinto (2005), foi possível compreender que é justamente o trabalho que permite interpretar a tecnologia para além de uma visão instrumental, pois ele não apenas produz artefatos, mas estrutura a própria relação do sujeito com o mundo.

Assim, percebemos a superação da visão restrita de autores como Longo (1984), que define tecnologia apenas como o emprego de conhecimentos para fins comerciais. Em Pinto (2005), compreendemos que o trabalho faz mais do que produzir a técnica: ele pode transformar o próprio sujeito.

Nesse contexto, foi possível compreender que a técnica não é exterior ao homem, mas constitutiva de sua existência. Ao afirmar que não há distinção real entre o humano e o técnico, Lévy (1993) reforça uma ideia de co-constituição em que essas dimensões se definem mutuamente no processo histórico.

No campo da aprendizagem, essa premissa ganha ainda mais densidade. Em Pinto (2005), foi possível compreender que aprender não se reduz à aquisição de conteúdos, mas consiste na transformação da relação do sujeito com o mundo, mediada pelo trabalho e pela técnica. Isso implica reconhecer que o conhecimento emerge da ação sobre a realidade e do engajamento do sujeito em práticas concretas.

Nessa perspectiva, foi possível perceber uma aproximação com Lévy (1993), ao reconhecermos que as tecnologias podem reorganizar os modos de pensar e conhecer. Contudo, compreendemos que, enquanto Lévy (1993) enfatiza as transformações cognitivas, Pinto (2005) reforça que tais mudanças estão enraizadas nas condições materiais e no trabalho humano.

A partir da contribuição de Vigotsky (2007), compreendemos que o desenvolvimento humano ocorre por meio de mediações culturais e sociais, primeiro no plano coletivo e depois no individual. Dessa forma, entendemos a aprendizagem como um processo histórico, social e mediado, no qual a técnica não é apenas suporte, mas elemento constitutivo da formação humana.

Por fim, foi possível perceber que, no contexto da educação, o desafio não é apenas inserir artefatos em sala de aula, mas problematizar seus sentidos e suas condições de produção. Foi possível compreender que é necessário superar a concepção errônea da técnica, apontada por Lévy (1993), para possibilitar uma apropriação crítica. Nesse cenário, entendemos que a escola pode se constituir como espaço privilegiado para a formação de sujeitos capazes de compreender e intervir na realidade de forma reflexiva e transformadora.

Para finalizar, entendemos que este estudo dirigido não se limitou à compreensão de textos e à resolução de perguntas, mas constituiu-se como um exercício formativo que contribuiu para o aprofundamento da leitura e para o desenvolvimento de um pensamento crítico e articulado acerca das relações entre tecnologia, inteligência e educação.

REFERÊNCIAS

FEENBERG, Andrew. Transforming Technology: A Critical Theory Revisited. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 2002.

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.

LONGO, Waldimir Pirró e. Tecnologia e soberania nacional. São Paulo: Nobel, 1984.

MCLUHAN, Marshall. Understanding media: the extensions of man. New York: McGraw-Hill, 1964.

PINTO, Álvaro Vieira. O conceito de tecnologia. v. 1 e 2. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.

VIGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.


sábado, 11 de abril de 2026

Entre Mobilidade e Ubiquidade: dispositivos digitais como mediadores de aprendizagem

 

    

    A partir da discussão do PBL sobre dispositivos digitais no ensino-aprendizagem, compreendemos que a incorporação das tecnologias móveis na educação não se resume à sua presença em sala de aula, mas representa uma mudança na forma de ensinar, aprender e interagir. O caso da professora Marina evidencia uma realidade ainda presente em muitos contextos educativos: práticas centradas na exposição oral e na passividade discente, pouco conectadas com a Cultura Digital vivenciada pelos estudantes fora da escola. 

    A disciplina tem contribuído para compreendermos que ensinar, na Cultura Digital, exige reconhecer como os sujeitos aprendem em uma sociedade marcada pela conectividade, mobilidade e ubiquidade. O principal aprendizado da aula e das leituras foi entender que a aprendizagem móvel (m-learning) não se limita ao “uso” do celular, mas corresponde a uma proposta pedagógica que aproveita a mobilidade, a conectividade e a interatividade dos dispositivos digitais para ampliar tempos, espaços e formas de aprender. 

    Conforme Santos e Porto (2019), vive-se em uma cibercultura marcada pela mobilidade ubíqua, na qual aplicativos e dispositivos móveis são artefatos culturais que transformam práticas sociais e educativas. Nessa perspectiva, a aprendizagem pode ocorrer em qualquer tempo e lugar, articulando espaços físicos e digitais de forma significativa.

    Essa ideia dialoga com as reflexões sobre mobilidade e ubiquidade. A partir de Augé (2010) e Santaella (2010), compreendemos que a mobilidade rompe com a lógica tradicional de ensino centrada no espaço fixo da sala de aula e na figura do professor como único transmissor do conhecimento. A ubiquidade amplia as possibilidades de acesso à informação, colaboração e construção coletiva do conhecimento. Isso nos levou a perceber que os dispositivos móveis, quando integrados aos diferentes contextos educativos como mediadores da aprendizagem, podem tornar o ensino mais próximo da realidade dos estudantes, mais participativo e alinhado às demandas do século XXI.

    Outro ponto importante foi compreender que a apropriação pedagógica das tecnologias digitais depende menos do dispositivo e mais da intencionalidade docente. As leituras também nos levaram a refletir que a aprendizagem móvel pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia e do protagonismo dos estudantes. Santos e Porto (2019) apresentam diferentes possibilidades por meio de aplicativos como WhatsApp, Padlet, Nearpod, jogos digitais e produção de memes, mostrando que os estudantes deixam de ser apenas receptores de conteúdo para se tornarem autores, colaboradores e participantes ativos do processo formativo. Isso amplia o engajamento e fortalece competências digitais, comunicativas e críticas, essenciais para a formação contemporânea.

      Na perspectiva construída a partir do PBL, o caso de Marina mostra que o maior desafio não é tecnológico, mas pedagógico. Os dispositivos digitais podem potencializar a aprendizagem quando inseridos em propostas significativas, que estimulem investigação, colaboração, criatividade e reflexão. Ao mesmo tempo, é preciso considerar limites como acesso desigual, tempo de aula, dispersão e necessidade de formação docente. Assim, a tecnologia não substitui o professor, mas exige uma atuação mediadora, flexível e atenta aos modos de aprender dos estudantes.

       Com essa atividade, percebemos que as TD precisam ser compreendidas para além do "uso" instrumental. Aprendemos que mobilidade, ubiquidade, interatividade e autoria são conceitos fundamentais para repensar o ensino no contexto da Cultura Digital. A aula passada nos levou a refletir que inovar pedagogicamente não significa apenas “usar” tecnologias, mas transformar a prática docente para promover aprendizagens conectadas com a realidade dos alunos.


 REFERÊNCIAS

AUGÉ, M. Por uma antropologia da mobilidade. Maceió: Edufal; Campinas: Unesp, 2010.

SANTAELLA, L. A aprendizagem ubíqua substitui a educação formal? Revista de Computação e Tecnologia da PUC-SP, São Paulo, v. 2, n. 1, p. 17-22, 2010.

SANTOS, E.; PORTO, C. App-Education: fundamentos, contextos e práticas educativas luso-brasileiras na cibercultura. EDUFBA, Salvador, 2019.

SILVA, Bento Duarte da. Prefácio. In: SANTOS, Edméa; PORTO, Cristiane (org.). App-Education: fundamentos, contextos e práticas educativas luso-brasileiras na cibercultura. Salvador: EDUFBA, 2019. p. 9-15.


Relato sobre o processo de planejamento e produção do vídeo referente ao PBL 6: Dispositivos digitais no ensino-aprendizagem




Nesta atividade, realizamos a segunda etapa do Problema 6: Dispositivos digitais no ensino-aprendizagem, que nos levou a refletir sobre a aprendizagem móvel e as possibilidades de integração dos dispositivos digitais aos contextos educativos. A partir do caso da professora Marina e das leituras propostas, aprofundamos conceitos como mobilidade, ubiquidade, interatividade, mediação pedagógica e protagonismo estudantil, o que nos permitiu compreender como as Tecnologias Digitais (TD) podem contribuir para práticas pedagógicas significativas.

O processo de planejamento e produção do vídeo foi importante para organizar os aprendizados construídos ao longo da atividade. Inicialmente, tivemos algumas dificuldades para definir a melhor dinâmica de gravação e como estruturar as respostas de forma clara e objetiva, dentro do tempo proposto. No entanto, à medida que organizamos o roteiro com base nas perguntas da atividade e nos referenciais teóricos estudados, conseguimos construir uma fala coerente com a proposta.

A experiência de gravar o vídeo também foi significativa, pois nos ajudou a sistematizar as reflexões sobre a temática e a perceber que inovar pedagogicamente vai além da presença das tecnologias, exigindo intencionalidade, planejamento e abertura para ressignificar práticas docentes. 

Segue, abaixo, o link do vídeo produzido para esta atividade:

https://www.youtube.com/watch?v=zZtBuh9qEMI

domingo, 5 de abril de 2026

Da compreensão conceitual à problematização crítica: onde estou como pesquisador


Chegar à metade da disciplina Tecnologias Digitais no Ensino me coloca diante de um exercício que considero central na formação em nível de doutorado: refletir sobre meu próprio processo de aprendizagem, reconhecendo avanços, limites e transformações no meu modo de pensar.

Logo no primeiro encontro, fui provocado por uma metáfora que, embora eu já a conhecesse de experiências anteriores, confesso que, neste momento, faz ainda mais sentido: a ideia do “copo cheio”. Ao ingressar na disciplina, trago comigo um conjunto significativo de saberes oriundos da minha formação em Licenciatura em Ciências Biológicas, do Mestrado em Educação e da minha prática profissional. 

Esses conhecimentos, longe de serem descartados, constituem minha base formativa, tanto para o exercício da minha profissão quanto como subsídios teóricos e práticos para minha atuação enquanto pesquisador e estudante. No entanto, percebo que, em determinados momentos, esse conjunto de experiências também pode se transformar em um limite, na medida em que tende a reforçar minhas certezas. Caso eu não consiga sistematizar esses saberes de forma crítica, tais certezas podem dificultar a abertura para novas problematizações e descobertas.

Ao longo da disciplina, tenho sido constantemente desafiado a “esvaziar” esse copo, não no sentido de negar minha trajetória ou as perspectivas epistemológicas que sustentam minhas ideias, mas no sentido de suspender certezas, tensionar conceitos e me permitir aprender a partir de outras abordagens teóricas. Esse movimento tem sido fundamental para que eu avance de uma postura mais afirmativa para uma postura crítica e investigativa.

Nesse percurso, um dos principais avanços ocorreu no aprofundamento da minha compreensão sobre a tecnologia e suas possibilidades no contexto educacional, tema que já venho buscando compreender desde o mestrado, especialmente a partir do meu primeiro contato com as contribuições de Álvaro Vieira Pinto. 

As leituras, as discussões e o desenvolvimento das atividades por meio da metodologia Problem Based Learning (PBL) têm contribuído significativamente para o meu entendimento da tecnologia para além de uma visão instrumental, reconhecendo-a como uma construção histórica, social e cultural, profundamente articulada aos processos de mediação e de produção do conhecimento. Posso afirmar que esse avanço não foi apenas conceitual, mas tem impactado diretamente minha forma de analisar práticas pedagógicas e discursos sobre inovação.

A dinâmica da disciplina, estruturada a partir da metodologia PBL, também tem desempenhado um papel importante nesse processo. De modo geral, reconheço que tenho buscado chegar preparado para as discussões, mobilizando leituras e tentando sustentar minhas contribuições com base em referenciais teóricos. Todavia, ao me autoavaliar com mais rigor, percebo que ainda estou em processo de transição. Em alguns momentos, avanço na problematização, em outros, ainda me aproximo de análises mais descritivas ou pouco tensionadas.

Essa percepção me leva a reconhecer um ponto fundamental. Ler e compreender não é suficiente. No nível do doutorado, é indispensável problematizar. E problematizar exige não apenas domínio teórico, mas também coragem intelectual para questionar, confrontar ideias e expor dúvidas.

Para a construção desta autoavaliação, realizei uma leitura cuidadosa do meu blog e, ao analisar meu portfólio, percebo que ele não se configura como um registro meramente burocrático. Há um esforço consistente de articulação teórica e de reflexão sobre as experiências vividas na disciplina. Apesar disso, reconheço que ainda posso avançar no sentido de torná-lo um espaço mais autoral, no qual minhas inquietações, dúvidas e tensões apareçam com maior intensidade. Ou seja, um espaço que reflita não apenas o que compreendi, mas também aquilo que ainda estou elaborando.

Entre os principais aprendizados até aqui, destaco:

a compreensão da tecnologia como construção histórica e social;

o entendimento das tecnologias digitais como mediadoras dos processos de aprendizagem;

a distinção entre uso instrumental e inovação pedagógica;

a problematização da informatização da educação, especialmente no que se refere à dataficação, ao uso de algoritmos e às implicações éticas desses processos.

Por outro lado, reconheço que ainda preciso avançar em alguns aspectos fundamentais, como:

maior aprofundamento teórico nas leituras realizadas;

ampliação do diálogo e da escuta dos colegas;

fortalecimento de uma postura mais crítica e menos descritiva em minhas produções.

Diante disso, assumo como compromisso para a segunda metade da disciplina aprofundar minha postura investigativa, buscando problematizar de forma mais rigorosa os conceitos discutidos, qualificar minhas participações nas atividades de PBL e tornar meu portfólio um espaço ainda mais reflexivo e autoral.

Ao final desta autoavaliação, reconheço que me encontro em um ponto de transição, entre o “copo cheio” de experiências e saberes construídos e a necessidade de esvaziá-lo continuamente para aprender de forma mais crítica. É nesse movimento de tensão, abertura e reconstrução que compreendo estar, de fato, aprendendo a aprender no doutorado.


sábado, 4 de abril de 2026

Linha do tempo: Educação digital no Brasil

No último PBL, Tecnologias Digitais no Ensino: possibilidades e limites, tivemos a oportunidade de discutir as tensões entre o potencial das Tecnologias Digitais (TD) e os riscos associados à sua incorporação no contexto da educação. Como parte da atividade, a proposta foi, a partir das leituras indicadas (COLL; MAURI; ONRUBIA, 2010; BONILLA; OLIVEIRA, 2011; VALENTE; ALMEIDA, 2022), dentre outras pesquisas, desenvolver uma linha do tempo que registrasse os principais momentos da relação entre TD e ensino no Brasil.

Para atender à proposta, foi elaborada uma linha do tempo com alguns marcos históricos relevantes dessa relação, evidenciando tanto as possibilidades quanto os limites que se repetem ao longo do tempo, conforme ilustra a Figura 1.

         Figura 1. Linha do tempo elencando alguns marcos históricos referentes às TD no Brasil.

         Fonte: Arquivo pessoal (2026)

A análise desses marcos permite compreender que, ao longo das últimas décadas, as TD abriram possibilidades importantes para o ensino e para a aprendizagem, como a ampliação do acesso à informação, a flexibilização das formas de aprendizagem, o desenvolvimento de ambientes virtuais e, mais recentemente, a personalização do ensino por meio da inteligência artificial (IA).

As políticas públicas brasileiras, nesse contexto, buscaram possibilitar a democratização do acesso às TD e trazer inovação para o ensino, com a expectativa de melhoria da qualidade educacional.

No entanto, a história também revela alguns limites e desafios. Entre eles, podemos destacar o foco excessivo na infraestrutura tecnológica, a ausência de formação docente adequada e a dificuldade de integração das TD nas práticas pedagógicas. Dessa forma, o simples acesso às tecnologias não se traduziu automaticamente em melhoria da aprendizagem nem em inovação educacional, pois, muitas vezes, sua incorporação foi superficial e desvinculada de propostas pedagógicas inovadoras (VALENTE; ALMEIDA, 2022).

Diante disso, a partir das leituras realizadas e das discussões desenvolvidas ao longo dos PBLs, compreendemos que, para que as TD contribuam efetivamente para a aprendizagem, são necessárias mudanças profundas no planejamento e nas formas de incorporação dessas tecnologias. A formação docente precisa ir além do domínio técnico, incorporando uma perspectiva crítica, pedagógica e ética sobre as diferentes formas de apropriação das tecnologias.

As práticas pedagógicas também podem ser repensadas, com foco em metodologias ativas, na colaboração e na construção do conhecimento pelos estudantes. Além disso, as políticas educacionais podem se organizar de forma mais integrada, articulando infraestrutura, currículo, formação docente e avaliação.

Assim, compreendemos que o potencial das TD na educação não depende apenas de sua presença, mas da forma como são incorporadas ao processo educativo. Sem uma mudança sistêmica e intencional, os limites tendem a se repetir, comprometendo os avanços esperados.

REFERÊNCIAS

COLL, C.; MAURI, T.; ONRUBIA, J. A incorporação das tecnologias da informação e da comunicação na educação: do projeto técnico-pedagógico às práticas de uso. In: COLL, C.; MONEREO, C. (Org.). Psicologia da Educação Virtual. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 66–93.  

BONILLA, M. H. S.; OLIVEIRA, P. C. S. Inclusão digital: ambiguidades em curso. In: BONILLA, Maria Helena Silveira; PRETTO, Nelson De Luca (org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 15-36. Disponível em: https://static.scielo.org/scielobooks/qfgmr/pdf/bonilla-9788523212063.pdf.

VALENTE, J. A.; ALMEIDA, M. E. B. Tecnologias e educação: legado das experiências da pandemia COVID-19 para o futuro da escola. Panorama Setorial da Internet, São Paulo, ano 14, n. 2, jun. 2022. Disponível em: https://cetic.br/media/docs/publicacoes/6/20220725145804/psi-ano-14-n-2-tecnologias-digitais-tendencias-atuais-futuro-educacao.pdf.







sábado, 28 de março de 2026

Tecnologias Digitais: entre instrumentalização e mediação

Na aula anterior, ao discutir o problema da Universidade Delta (PBL 4 – Parte 1), ficou evidente que a simples inserção de tecnologias não transforma práticas pedagógicas; ao contrário, quando não fundamentada teoricamente, tende a reforçar modelos tradicionais de ensino. Ao avançar para o PBL 4 (Parte 2) e realizar as leituras propostas, compreendemos que o problema central não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é concebida e integrada ao processo educativo, de modo que a desmotivação e a evasão observadas se configuram mais como consequências de um modelo pedagógico fragilizado do que como causas isoladas.

O cenário analisado revela um uso instrumental das Tecnologias Digitais (TD), reduzidas a repositórios de arquivos, o que expressa uma concepção transmissiva de conhecimento. Tal perspectiva é criticada por Laurillard (2002), ao afirmar que a aprendizagem depende de processos interativos, baseados em diálogo, feedback e reconstrução do conhecimento.

Essa limitação pode ser compreendida a partir do modelo TPACK, que evidencia a necessidade de articulação entre os conhecimentos pedagógico, tecnológico e de conteúdo para um uso significativo das tecnologias (Koehler; Mishra; Cain, 2013). Quando essa integração não ocorre, a tecnologia se restringe a um suporte técnico, sem impacto efetivo na aprendizagem. De forma complementar, o modelo SAMR indica que a instituição permanece nos níveis iniciais de uso tecnológico, caracterizados pela substituição de práticas tradicionais, sem transformação das atividades pedagógicas (Puentedura, 2010).

Para um melhor entendimento, buscamos, por meio de um recurso visual, elencar algumas causas envolvidas a partir do Diagrama de Ishikawa.





A leitura do diagrama evidencia que o problema não se reduz à tecnologia, mas resulta de uma articulação frágil entre dimensões pedagógicas, epistemológicas e culturais. Ao contrastar esse cenário com perspectivas contemporâneas, observa-se um distanciamento em relação às teorias que fundamentam a aprendizagem na cultura digital. Para Siemens (2005), o conhecimento é distribuído em redes, e aprender significa estabelecer conexões; entretanto, a estrutura identificada no diagrama revela justamente a ausência dessas conexões. 

De modo semelhante, Lévy (1999) aponta que a cibercultura favorece a inteligência coletiva, mas essa potencialidade é neutralizada quando prevalece um modelo centrado na transmissão. Nesse contexto, Dakich (2014) reforça que a integração das tecnologias exige fundamentos epistemológicos consistentes, evidenciando que a fragilidade teórica identificada no diagrama compromete toda a proposta de inovação.

Dessa forma, a principal aprendizagem desta atividade é que a inovação educacional não reside na adoção de tecnologias, mas na transformação das práticas pedagógicas que lhes dão sentido. O diagrama evidencia que, sem essa transformação, a tecnologia tende a reproduzir o modelo transmissivo; por outro lado, quando articulada a fundamentos teóricos sólidos, pode se constituir como mediação significativa na construção do conhecimento.

REFERÊNCIAS
 
DAKICH, Eva. Theoretical and Epistemological Foundations of Integrating Digital Technologies in Education. In: Reflections on the History of Computers in Education. Springer, 2014. Disponível em: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-642-55119-2_10.

KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013. Disponível em: https://www.matt-koehler.com/publications/Koehler_et_al_2013.pdf.

LAURILLARD, D. Rethinking University Teaching: A Conversational Framework. Routledge, 2002. Disponível em: https://www.scribd.com/document/704783876/Conversational-Framework-of-Laurillard.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999. (Capítulos 4 e 6).

PUENTEDURA, R. SAMR: A Brief Introduction. 2010. Disponível em: https://www.scribd.com/document/891040863/Samr-Model-1.

SIEMENS, G. Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning, 2005.






sábado, 21 de março de 2026

Representação visual da educação na cultura digital


A partir da publicação feita pelo professor Fernando Pimentel no blog da disciplina Tecnologias Digitais no Ensino, intitulada “Informatização da sociedade e novos paradigmas sociais na educação”, recebemos a proposta de, com base nas leituras indicadas no PBL 3, anotar as palavras-chave dos textos que estivéssemos lendo e, em seguida, elaborar um parágrafo sintetizando as ideias. Por fim, fomos orientados a utilizar alguma aplicação de IAGen para transformar esse parágrafo em uma imagem.

Para atender à proposta, utilizei a ferramenta Gemini 3, e o resultado foi o seguinte:





A imagem que produzi por meio de inteligência artificial foi desenvolvida a partir de um parágrafo síntese construído com base nas palavras-chave extraídas das leituras indicadas no Problema 3. Nesse processo, busquei traduzir visualmente conceitos centrais como sociedade em rede, cultura digital, dataficação, inteligência artificial e mediação pedagógica.

Diante disso, convido você, leitor, a também refletir: como essa imagem dialoga com a sua compreensão sobre a educação na cultura digital? De que maneira você a interpretaria a partir de suas próprias experiências e leituras?






Entre inquietações e construções teóricas: reflexões sobre tecnologia, inteligência e educação

O desenvolvimento deste estudo não se deu sem dificuldades, uma vez que as inquietações provocadas pelas leituras nos estimularam a buscar o...