A partir da discussão do PBL sobre dispositivos digitais no ensino-aprendizagem, compreendemos que a incorporação das tecnologias móveis na educação não se resume à sua presença em sala de aula, mas representa uma mudança na forma de ensinar, aprender e interagir. O caso da professora Marina evidencia uma realidade ainda presente em muitos contextos educativos: práticas centradas na exposição oral e na passividade discente, pouco conectadas com a Cultura Digital vivenciada pelos estudantes fora da escola.
A disciplina tem contribuído para compreendermos que ensinar, na Cultura Digital, exige reconhecer como os sujeitos aprendem em uma sociedade marcada pela conectividade, mobilidade e ubiquidade. O principal aprendizado da aula e das leituras foi entender que a aprendizagem móvel (m-learning) não se limita ao “uso” do celular, mas corresponde a uma proposta pedagógica que aproveita a mobilidade, a conectividade e a interatividade dos dispositivos digitais para ampliar tempos, espaços e formas de aprender.
Conforme Santos e Porto (2019), vive-se em uma cibercultura marcada pela mobilidade ubíqua, na qual aplicativos e dispositivos móveis são artefatos culturais que transformam práticas sociais e educativas. Nessa perspectiva, a aprendizagem pode ocorrer em qualquer tempo e lugar, articulando espaços físicos e digitais de forma significativa.
Essa ideia dialoga com as reflexões sobre mobilidade e ubiquidade. A partir de Augé (2010) e Santaella (2010), compreendemos que a mobilidade rompe com a lógica tradicional de ensino centrada no espaço fixo da sala de aula e na figura do professor como único transmissor do conhecimento. A ubiquidade amplia as possibilidades de acesso à informação, colaboração e construção coletiva do conhecimento. Isso nos levou a perceber que os dispositivos móveis, quando integrados aos diferentes contextos educativos como mediadores da aprendizagem, podem tornar o ensino mais próximo da realidade dos estudantes, mais participativo e alinhado às demandas do século XXI.
Outro ponto importante foi compreender que a apropriação pedagógica das tecnologias digitais depende menos do dispositivo e mais da intencionalidade docente. As leituras também nos levaram a refletir que a aprendizagem móvel pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia e do protagonismo dos estudantes. Santos e Porto (2019) apresentam diferentes possibilidades por meio de aplicativos como WhatsApp, Padlet, Nearpod, jogos digitais e produção de memes, mostrando que os estudantes deixam de ser apenas receptores de conteúdo para se tornarem autores, colaboradores e participantes ativos do processo formativo. Isso amplia o engajamento e fortalece competências digitais, comunicativas e críticas, essenciais para a formação contemporânea.
Na perspectiva construída a partir do PBL, o caso de Marina mostra que o maior desafio não é tecnológico, mas pedagógico. Os dispositivos digitais podem potencializar a aprendizagem quando inseridos em propostas significativas, que estimulem investigação, colaboração, criatividade e reflexão. Ao mesmo tempo, é preciso considerar limites como acesso desigual, tempo de aula, dispersão e necessidade de formação docente. Assim, a tecnologia não substitui o professor, mas exige uma atuação mediadora, flexível e atenta aos modos de aprender dos estudantes.
Com essa atividade, percebemos que as TD precisam ser compreendidas para além do "uso" instrumental. Aprendemos que mobilidade, ubiquidade, interatividade e autoria são conceitos fundamentais para repensar o ensino no contexto da Cultura Digital. A aula passada nos levou a refletir que inovar pedagogicamente não significa apenas “usar” tecnologias, mas transformar a prática docente para promover aprendizagens conectadas com a realidade dos alunos.
REFERÊNCIAS
AUGÉ, M. Por uma antropologia da mobilidade. Maceió: Edufal; Campinas: Unesp, 2010.
SANTAELLA, L. A aprendizagem ubíqua substitui a educação formal? Revista de Computação e Tecnologia da PUC-SP, São Paulo, v. 2, n. 1, p. 17-22, 2010.
SANTOS, E.; PORTO, C. App-Education: fundamentos, contextos e práticas educativas luso-brasileiras na cibercultura. EDUFBA, Salvador, 2019.
SILVA, Bento Duarte da. Prefácio. In: SANTOS, Edméa; PORTO, Cristiane (org.). App-Education: fundamentos, contextos e práticas educativas luso-brasileiras na cibercultura. Salvador: EDUFBA, 2019. p. 9-15.

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