O desenvolvimento das discussões propostas pelo PBL 9 não ocorreu sem inquietações, especialmente porque o problema apresentado pela professora Helena ultrapassa a simples incorporação de ferramentas digitais ao planejamento pedagógico. Ao longo das discussões, percebemos que a problemática central não estava apenas em escolher plataformas digitais, mas em compreender como integrar tecnologias aos objetivos de aprendizagem, metodologias e processos avaliativos. Nesse sentido, Koehler, Mishra e Cain (2013) afirmam que o ensino com tecnologias constitui uma tarefa complexa.
Desde
o início da disciplina Tecnologias Digitais no Ensino, venho participando das
discussões em grupo nos momentos presenciais em sala de aula para problematizar
as questões propostas em cada PBL. A reorganização constante dos grupos tem
enriquecido o processo formativo, pois possibilita conhecer diferentes
experiências, repertórios e compreensões acerca dos temas discutidos, ao mesmo
tempo em que compartilhamos os conhecimentos construídos em nossas trajetórias
acadêmicas e profissionais.
Essa
experiência aproxima-se diretamente da perspectiva defendida por Vigotsky (1999)
ao afirmar que o aprendizado desperta vários processos internos de
desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando os indivíduos
interagem com pessoas em seu ambiente e em cooperação com seus companheiros.
Nesse sentido, compreendemos que as interações, os diálogos e as trocas
estabelecidas entre os integrantes dos grupos contribuem para ampliar nossas
compreensões acerca das Tecnologias Digitais (TD) e das práticas pedagógicas.
Entretanto,
este PBL apresentou uma dinâmica um pouco diferente das experiências
anteriores. Embora as discussões em grupo tenham permanecido, desta vez fomos
desafiados não apenas a discutir o problema, mas também a construir
colaborativamente um Framework Visual Digital voltado ao design de atividades
mediadas por tecnologias. Para isso, tivemos que estudar os referenciais
teóricos, realizar encontros online e compartilhar coletivamente as descobertas
oriundas das leituras.
Ao
aprofundarmos os estudos, compreendemos que o design didático não pode ser
entendido como mera organização técnica de etapas ou escolha de plataformas
digitais. Em Koehler, Mishra e Cain (2013, p. 15), percebemos que “usos”
pedagógicos reflexivos da tecnologia exigem o desenvolvimento de uma forma de
conhecimento complexa e situada. Assim, a integração das TD exige
intencionalidade pedagógica, contextualização e articulação entre conteúdo,
metodologia e tecnologia.
Essa
discussão também nos permitiu compreender que a mediação docente ocupa papel
central no processo de design das atividades. A partir de Rêgo e Lima (2010) percebemos
que a didática se caracteriza como mediação entre o ensinar e o aprender. Dessa
forma, compreendemos que o planejamento pedagógico envolve definição consciente
de objetivos, estratégias metodológicas, formas de interação e processos
avaliativos coerentes com a proposta educativa.
Ao dialogarmos com Coll e Monereo (2010, p. 17), compreendemos também que as TD podem possibilitar o desenvolvimento de ambientes que integram sistemas semióticos conhecidos e ampliar a capacidade humana para representar, processar, transmitir e compartilhar grandes quantidades de informação. Essa reflexão contribuiu diretamente para pensarmos a necessidade de considerar os perfis dos estudantes, os conhecimentos prévios e os contextos socioculturais no planejamento das atividades.
Ao
aprofundarmos os estudos de Hayashi e Baranauskas (2013), compreendemos que o
design de TD também envolve dimensões afetivas e relacionais, especialmente ao
defenderem ações voltadas para um design sensível. Essa discussão
articulou-se às contribuições de Posada (2015), ao evidenciar possibilidades de
“co-construção de narrativas” em ambientes educacionais mediados por
tecnologias, fortalecendo perspectivas de participação ativa e construção
colaborativa do conhecimento.
Atualmente,
estamos trabalhando coletivamente na construção de um Framework Visual Digital
que contemple os elementos solicitados na segunda etapa do PBL 9. Em grupo,
estamos organizando discussões relacionadas aos objetivos de aprendizagem,
perfis dos estudantes, critérios para seleção das tecnologias, estratégias de
avaliação, acessibilidade, engajamento, carga cognitiva e limitações do design
didático mediado por tecnologias.
Por
fim, compreendemos que este PBL vem fortalecendo uma perspectiva crítica sobre a
incorporação das TD no ensino, especialmente ao evidenciar que a qualidade das
experiências educativas depende menos da presença das tecnologias em si e mais
das intencionalidades pedagógicas e das mediações construídas pelos
professores. Em breve, estaremos compartilhando o framework visual desenvolvido
coletivamente pelo grupo, resultado das discussões, leituras e aprendizagens
construídas ao longo deste processo.
REFERÊNCIAS
COLL, César; MONEREO, Carles (orgs.). Parte II: Fatores e processos psicológicos envolvidos na aprendizagem virtual: um olhar construtivista. In: COLL, César; MONEREO, Carles (orgs.). Psicologia da educação virtual: aprender e ensinar com as tecnologias da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 97-136.
HAYASHI, E. C.S.; BARANAUSKAS, M. C. C. “Affectibility” and Design Workshops: Taking actions towards more sensible design. Proceedings of the 12th Brazilian Symposium on Human Factors in Computing Systems. Porto Alegre, 2013. p. 3-12. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/epdf/10.5555/2577101.2577106. Acesso em: 12. maio.2026.
KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013. Disponível em: https://www.matt-koehler.com/publications/Koehler_et_al_2013.pdf. Acesso em: 12. maio.2026.
RÊGO, Luciane Borges do; LIMA, Maria Vitória Ribas de Oliveira. Didática. Recife: Editora da Universidade de Pernambuco (UPE), 2010. p. 44. Disponível em:http://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/204082/2/Livro%20Didatica.pdf. Acesso em: 12. maio.2026
VIGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999

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