sábado, 16 de maio de 2026

O design didático: mediação, intencionalidade pedagógica e construção colaborativa no PBL 9

 

O desenvolvimento das discussões propostas pelo PBL 9 não ocorreu sem inquietações, especialmente porque o problema apresentado pela professora Helena ultrapassa a simples incorporação de ferramentas digitais ao planejamento pedagógico. Ao longo das discussões, percebemos que a problemática central não estava apenas em escolher plataformas digitais, mas em compreender como integrar tecnologias aos objetivos de aprendizagem, metodologias e processos avaliativos. Nesse sentido, Koehler, Mishra e Cain (2013) afirmam que o ensino com tecnologias constitui uma tarefa complexa.

Desde o início da disciplina Tecnologias Digitais no Ensino, venho participando das discussões em grupo nos momentos presenciais em sala de aula para problematizar as questões propostas em cada PBL. A reorganização constante dos grupos tem enriquecido o processo formativo, pois possibilita conhecer diferentes experiências, repertórios e compreensões acerca dos temas discutidos, ao mesmo tempo em que compartilhamos os conhecimentos construídos em nossas trajetórias acadêmicas e profissionais.

Essa experiência aproxima-se diretamente da perspectiva defendida por Vigotsky (1999) ao afirmar que o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando os indivíduos interagem com pessoas em seu ambiente e em cooperação com seus companheiros. Nesse sentido, compreendemos que as interações, os diálogos e as trocas estabelecidas entre os integrantes dos grupos contribuem para ampliar nossas compreensões acerca das Tecnologias Digitais (TD) e das práticas pedagógicas.

Entretanto, este PBL apresentou uma dinâmica um pouco diferente das experiências anteriores. Embora as discussões em grupo tenham permanecido, desta vez fomos desafiados não apenas a discutir o problema, mas também a construir colaborativamente um Framework Visual Digital voltado ao design de atividades mediadas por tecnologias. Para isso, tivemos que estudar os referenciais teóricos, realizar encontros online e compartilhar coletivamente as descobertas oriundas das leituras.

Ao aprofundarmos os estudos, compreendemos que o design didático não pode ser entendido como mera organização técnica de etapas ou escolha de plataformas digitais. Em Koehler, Mishra e Cain (2013, p. 15), percebemos que “usos” pedagógicos reflexivos da tecnologia exigem o desenvolvimento de uma forma de conhecimento complexa e situada. Assim, a integração das TD exige intencionalidade pedagógica, contextualização e articulação entre conteúdo, metodologia e tecnologia.

Essa discussão também nos permitiu compreender que a mediação docente ocupa papel central no processo de design das atividades. A partir de Rêgo e Lima (2010) percebemos que a didática se caracteriza como mediação entre o ensinar e o aprender. Dessa forma, compreendemos que o planejamento pedagógico envolve definição consciente de objetivos, estratégias metodológicas, formas de interação e processos avaliativos coerentes com a proposta educativa.

Ao dialogarmos com Coll e Monereo (2010, p. 17), compreendemos também que as TD podem possibilitar o desenvolvimento de ambientes que integram sistemas semióticos conhecidos e ampliar a capacidade humana para representar, processar, transmitir e compartilhar grandes quantidades de informação. Essa reflexão contribuiu diretamente para pensarmos a necessidade de considerar os perfis dos estudantes, os conhecimentos prévios e os contextos socioculturais no planejamento das atividades.

Ao aprofundarmos os estudos de Hayashi e Baranauskas (2013), compreendemos que o design de TD também envolve dimensões afetivas e relacionais, especialmente ao defenderem ações voltadas para um design sensível. Essa discussão articulou-se às contribuições de Posada (2015), ao evidenciar possibilidades de “co-construção de narrativas” em ambientes educacionais mediados por tecnologias, fortalecendo perspectivas de participação ativa e construção colaborativa do conhecimento.

Atualmente, estamos trabalhando coletivamente na construção de um Framework Visual Digital que contemple os elementos solicitados na segunda etapa do PBL 9. Em grupo, estamos organizando discussões relacionadas aos objetivos de aprendizagem, perfis dos estudantes, critérios para seleção das tecnologias, estratégias de avaliação, acessibilidade, engajamento, carga cognitiva e limitações do design didático mediado por tecnologias.

Por fim, compreendemos que este PBL vem fortalecendo uma perspectiva crítica sobre a incorporação das TD no ensino, especialmente ao evidenciar que a qualidade das experiências educativas depende menos da presença das tecnologias em si e mais das intencionalidades pedagógicas e das mediações construídas pelos professores. Em breve, estaremos compartilhando o framework visual desenvolvido coletivamente pelo grupo, resultado das discussões, leituras e aprendizagens construídas ao longo deste processo.


REFERÊNCIAS

COLL, César; MONEREO, Carles (orgs.). Parte II: Fatores e processos psicológicos envolvidos na aprendizagem virtual: um olhar construtivista. In: COLL, César; MONEREO, Carles (orgs.). Psicologia da educação virtual: aprender e ensinar com as tecnologias da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 97-136. 

HAYASHI, E. C.S.; BARANAUSKAS, M. C. C. “Affectibility” and Design Workshops: Taking actions towards more sensible design. Proceedings of the 12th Brazilian Symposium on Human Factors in Computing Systems. Porto Alegre, 2013. p. 3-12. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/epdf/10.5555/2577101.2577106. Acesso em: 12. maio.2026. 

KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013. Disponível em: https://www.matt-koehler.com/publications/Koehler_et_al_2013.pdf. Acesso em: 12. maio.2026.

RÊGO, Luciane Borges do; LIMA, Maria Vitória Ribas de Oliveira. Didática. Recife: Editora da Universidade de Pernambuco (UPE), 2010. p. 44. Disponível em:http://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/204082/2/Livro%20Didatica.pdf. Acesso em: 12. maio.2026

VIGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999



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